O PROBLEMA
Nunca se viu uma investida tão forte da grande imprensa nacional contra uma corrente política. Jornais, revistas, televisão, rádio e internet somando forças para derrubar o PT e seus aliados. A conjuntura era totalmente adversa. O desgaste era tanto que a análise mais otimista estabelecia como meta eleitoral, no máximo, a manutenção da bancada de deputados estaduais e federais do PT e aliados.
O ambiente local também conspirava contra. Tendo permanecido durante 16 anos consecutivos no poder estadual, a direita reunia condições absolutamente favoráveis para impor uma derrota acachapante às forças de oposição. Na cabeça da chapa estava o então governador, Paulo Souto, que contava com o apoio da maioria dos prefeitos das cidades do interior e ainda detinha o maior arsenal midiático do Norte/Nordeste.
As perguntas eram muitas. O que fazer para reverter ou, ao menos, minimizar os desgastes sofridos pelo PT e seus aliados? Como tornar o programa eleitoral proporcional atraente, interessante e, sobretudo, formador de opinião? Como formatar uma ideia que desse novo fôlego ao horário? Como ajudar a campanha majoritária a quebrar a chapa Lula/Paulo Souto que, naquele momento, era a primeira opção dos baianos? O projeto era ambicioso, havia muito trabalho a ser feito.
A SOLUÇÃO
Sabendo de todas as dificuldades dessa empreitada, o diretório estadual do PT tomou uma decisão pioneira: montar equipes de criação e de produção exclusivas para a campanha proporcional, com núcleo e estrutura próprios. Pela primeira vez, a propaganda eleitoral para deputados iria ganhar um formato, uma personalidade, um conceito forte e competitivo.
Primeiro, definimos claramente o nosso público-alvo. Levamos em conta que na Bahia, apesar de todos os ataques da imprensa local e nacional, o presidente Lula ainda contava com a intenção de voto de 62% dos baianos. Portanto, nosso programa dialogou prioritariamente com o eleitorado de Lula. Tanto no conteúdo quanto na forma, o nosso discurso assumiu um caráter absolutamente popular. A escolha foi certeira. O programa proporcional ganhou uma personalidade forte, materializada nos seguintes conceitos: “OS DEPUTADOS DO TIME DE LULA”, desdobrado em seguida para “OS DEPUTADOS DO TIME DE LULA E WAGNER”.
Para criar uma identificação ainda mais forte com a grande massa, nossa campanha ganhou uma pitada de humor e irreverência com o “VOTO CASADINHO”. Uma expressão poderosa, de linguagem simples e sonora, formatada em vinhetas que incorporavam elementos da cultura baiana e do dia-a-dia das pessoas. Uma combinação de ícones que simbolizavam a ideia de união, homogeneidade e, numa leitura mais direcionada, o voto consciente, inteligente, lógico. A partir daquele momento, tudo que combinava era voto casadinho. Era Lula, Wagner e os deputados.
Na parte estética, as mudanças também foram inovadoras. Pra começar, o programa agora tinha abertura e finalização com vinhetas impactantes, locução, cenários, cartelas gráficas, comerciais, quadros interativos, clipe, jingles e trilhas que transmitiam ao eleitor as vantagens da união entre presidente, governador e deputados – todos num mesmo time ajudando a melhorar a vida dos baianos. O intuito, portanto, era costurar com mais precisão a interação entre as campanhas proporcional e majoritária.
OS RESULTADOS
Um novo capítulo no marketing político da Bahia. O programa proporcional passou a influenciar com força os rumos do debate no Estado, sendo notícia quase que diária em jornais e revistas locais e nacionais. A eficiência da comunicação ganhou uma dimensão nunca vista, chegando a pautar o programa majoritário dos adversários, por diversas vezes.
Nas ruas, a campanha crescia a cada dia, ganhava fôlego. Nos comícios, nas caminhadas, nos acontecimentos políticos, o time de Lula se transformou numa verdadeira marca que todos queriam fazer parte. Àquela altura, o programa já era comentário em todo o Estado por sua versatilidade, bom humor e abordagem política certeira, que conduzia a relação com espectador de maneira inteligente, sempre buscando surpreender com boas ideias.
Por fim, o veredicto nas urnas: uma estratégia vitoriosa, de resultados efetivos. Contrariando todas as tendências de redução de bancada, como ocorrido nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso, entre outros; o PT e os aliados na Bahia aumentaram tanto a bancada federal quanto a estadual. E depois de 16 anos no governo, a direita local foi derrotada e, sem sombra de dúvida, o programa proporcional também foi fundamental para esse resultado. A partir desse momento, um paradigma foi quebrado, ao passo que outro nasceu. O programa eleitoral proporcional nunca mais será visto como antes.
Peça:
Cliente: Secretaria da Educação